# Beephish – Gestão de Risco Humano

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Canonical: https://beephish.com/midia/o-colaborador-foi-desligado-da-empresa-mas-o-risco-humano-permanece

Em muitas empresas, o desligamento ainda marca apenas o fim do vínculo formal com o colaborador. O problema é que acessos, permissões e rastros digitais nem sempre saem junto com ele.

Com o aumento da conectividade no ambiente corporativo, uma única identidade pode concentrar acesso a e-mails, plataformas SaaS, sistemas internos, ferramentas de colaboração, dashboards, arquivos estratégicos e integrações em nuvem. Encerrar um contrato não significa, necessariamente, eliminar todos esses caminhos.

A expansão dos ambientes híbridos mudou a forma como empresas passaram a olhar identidade e acesso. Estratégias como Zero Trust e Identity Security ampliaram a preocupação com privilégios acumulados, contas esquecidas e permissões que continuam ativas sem necessidade operacional clara. Ao mesmo tempo, o avanço da IA generativa tornou ataques de engenharia social mais sofisticados e aumentou a capacidade de exploração de credenciais e perfis de acesso dentro das organizações.

No Brasil, o Relatório de Cibersegurança 2025 da Brasscom mostra que 86% dos CISOs acreditam que sofrerão um ataque relevante nos próximos 12 meses relacionado a riscos humanos. Parte dessa exposição está justamente na dificuldade de controlar comportamentos, permissões e identidades digitais ao longo da jornada do colaborador dentro da companhia. E o problema raramente começa no último dia de trabalho.

**O risco começa antes da saída**

Existe uma percepção comum de que o problema está apenas no ex-colaborador mal-intencionado. Na prática, muitos sinais de exposição aparecem antes mesmo do desligamento formal.

Movimentações incomuns de arquivos, envio de documentos para contas pessoais, acessos fora do padrão e tentativas de manter permissões paralelas costumam surgir de forma gradual. Nem sempre isso está ligado a fraude deliberada. Em muitos casos, o comportamento muda antes da saída oficial, especialmente em contextos de desgaste, insegurança profissional ou desconexão com a empresa.

É justamente aí que o tema deixa de ser apenas um processo de TI e passa a envolver comportamento, contexto e gestão de risco humano.

O mercado de segurança passou anos concentrado em tecnologia, mas parte relevante dos incidentes continua explorando decisões cotidianas, excesso de acesso e falta de visibilidade sobre o comportamento dos usuários. Com IA sendo utilizada tanto para automatizar ataques quanto para simular interações legítimas de forma cada vez mais convincente, o desafio de diferenciar comportamento normal de comportamento suspeito se tornou ainda mais complexo.

**Quando identidade entra na estratégia de segurança**

Hoje, um único colaborador pode manter dezenas de acessos distribuídos entre plataformas corporativas, aplicações externas e ferramentas contratadas diretamente pelas áreas de negócio.

Quando não existe gestão contínua dessas identidades, surgem brechas silenciosas. Sessões ativas, permissões esquecidas, acessos terceirizados e contas compartilhadas podem continuar funcionando mesmo após o encerramento do vínculo formal.

Por isso, o _offboarding_ deixou de ser apenas uma etapa operacional. O desafio não está somente em bloquear e remover um login, mas em entender o nível de exposição associado àquela identidade e garantir que os acessos realmente deixem de existir.

Esse movimento também aproxima segurança de áreas como RH e liderança operacional. Afinal, muitas exposições não surgem de ataques sofisticados, mas de permissões acumuladas ao longo do tempo, falhas de processo e ausência de acompanhamento sobre comportamentos de risco.

Esse cenário também ajuda a explicar por que as discussões sobre Human Risk Management (HRM) ganharam relevância nos últimos anos. A proposta não é monitorar pessoas de forma invasiva, mas compreender padrões de comportamento, contexto e níveis de exposição ao risco, inclusive em momentos de transição, incorporando a segurança aos processos desde o início da jornada do colaborador.

No fim das contas, o maior problema nem sempre é o acesso que foi removido. Muitas vezes, é aquele que ninguém percebeu que continuava ativo.

Natália Santos, _gerente de Canais e Marketing da Beephish._

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Fonte: BeePhish — https://beephish.com