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Quando ocorre um incidente de segurança causado por uma ação humana, a reação mais comum é procurar identificar quem cometeu o erro. Um colaborador clicou em um link malicioso, compartilhou informações indevidamente ou aprovou uma solicitação fraudulenta. Embora essa análise seja compreensível, ela muitas vezes desvia a atenção da pergunta mais importante: o que a organização fez, ou deixou de fazer, para que aquele comportamento acontecesse?

Essa mudança de perspectiva é fundamental para compreender o risco humano de forma madura. Afinal, comportamentos inseguros raramente surgem isoladamente. Na maioria dos casos, eles são consequência de processos inadequados, falhas de comunicação, ausência de contexto ou decisões organizacionais que acabam aumentando a probabilidade de erro.

Por esse motivo, antes de tentar corrigir os usuários, vale a pena analisar alguns dos erros mais comuns que as próprias empresas cometem ao lidar com o fator humano na segurança da informação.

## **Erro 1: acreditar que conscientização resolve tudo**

Durante muito tempo, a conscientização foi tratada como a principal resposta para problemas relacionados ao comportamento dos usuários. Embora seja uma ferramenta importante, ela não resolve sozinha todos os desafios relacionados ao risco humano.

Uma pessoa pode conhecer perfeitamente as boas práticas de segurança e ainda assim tomar decisões inadequadas sob pressão, distração ou excesso de trabalho. O comportamento humano é influenciado por diversos fatores que vão muito além do conhecimento.

Quando as empresas acreditam que conscientização é a solução para qualquer problema, acabam ignorando questões relacionadas à cultura organizacional, experiência do usuário, desenho dos processos e até mesmo fatores psicológicos que influenciam a tomada de decisão.

## **Erro 2: fazer segurança apenas para atender auditorias**

Outro erro frequente é enxergar a conscientização como uma obrigação regulatória.

Em muitas organizações, as ações de segurança ganham força próximo de auditorias, certificações ou avaliações de conformidade. Depois disso, o tema volta a perder prioridade até o próximo ciclo de cobrança.

O problema é que ameaças não seguem calendários de auditoria. Os riscos existem diariamente e os comportamentos das pessoas são influenciados continuamente por suas experiências, rotinas e interações.

Quando a segurança é tratada apenas como requisito de conformidade, perde-se a oportunidade de construir uma cultura genuína de proteção.

## **Erro 3: medir apenas taxas de clique**

Poucos indicadores se tornaram tão populares quanto a taxa de clique em campanhas de phishing simulado. Embora seja uma métrica útil, utilizá-la como único indicador de maturidade pode levar a conclusões equivocadas.

Imagine duas empresas. Na primeira, poucos usuários clicam em mensagens suspeitas, mas praticamente ninguém reporta ameaças ao time de segurança. Na segunda, existe um número um pouco maior de cliques, mas os colaboradores reportam rapidamente atividades suspeitas e contribuem ativamente para a identificação de ataques.

Qual delas apresenta menor risco?

A resposta não é tão simples quanto olhar para uma porcentagem. O comportamento humano é complexo e exige uma visão mais ampla, considerando fatores como reporte, reincidência, exposição, contexto e evolução ao longo do tempo.

## **Erro 4: punir usuários por erros**

Talvez nenhum erro seja tão prejudicial para a construção de uma cultura de segurança quanto a busca por culpados.

Quando campanhas de conscientização são utilizadas para expor usuários ou quando incidentes geram punições automáticas, cria-se um ambiente onde as pessoas passam a esconder problemas em vez de comunicá-los.

O resultado costuma ser exatamente o oposto do desejado. Colaboradores evitam reportar situações suspeitas, deixam de pedir ajuda e tentam resolver problemas por conta própria para evitar consequências negativas.

Organizações maduras entendem que erros são fontes valiosas de aprendizado. Em vez de procurar culpados, procuram compreender os fatores que levaram determinado comportamento a acontecer.

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## **Erro 5: ignorar o papel das lideranças**

Muitas iniciativas de segurança são direcionadas exclusivamente para os colaboradores, enquanto gestores e executivos permanecem relativamente distantes do processo.

Essa abordagem cria uma incoerência perigosa. Se líderes ignoram procedimentos, compartilham credenciais, aprovam exceções sem critério ou demonstram pouco interesse pelo tema, a mensagem transmitida para o restante da organização é bastante clara.

A cultura de segurança não é construída apenas por políticas ou campanhas. Ela é construída principalmente pelo comportamento observado nas lideranças. Pessoas tendem a reproduzir aquilo que veem ser valorizado dentro da organização. Se a segurança não faz parte das decisões dos líderes, dificilmente fará parte das decisões das equipes.

## **Erro 6: tratar todos os usuários da mesma forma**

Outro erro comum é assumir que todos os colaboradores enfrentam os mesmos riscos e precisam receber exatamente as mesmas orientações.

Na prática, diferentes áreas convivem com desafios completamente distintos. Profissionais de recursos humanos lidam com dados pessoais. Equipes financeiras enfrentam tentativas constantes de fraude. Executivos são alvos frequentes de ataques direcionados. Profissionais de tecnologia possuem acesso privilegiado a sistemas críticos.

Quando a conscientização ignora essas diferenças, ela perde relevância para os usuários. Quanto mais próximo da realidade de cada grupo estiver o conteúdo, maiores são as chances de engajamento e mudança de comportamento.

## **Erro 7: ignorar fatores como pressão e sobrecarga**

Uma das maiores falhas na gestão do risco humano é acreditar que comportamentos inseguros acontecem apenas por negligência ou falta de conhecimento. A realidade mostra algo diferente. Muitos erros ocorrem em ambientes marcados por excesso de tarefas, pressão por resultados, múltiplas interrupções e níveis elevados de estresse.

Uma pessoa que recebe centenas de mensagens por dia, participa de reuniões consecutivas e trabalha constantemente sob pressão possui maior probabilidade de cometer erros do que alguém que atua em condições mais equilibradas.

Por isso, compreender fatores como carga de trabalho, tecnostress e contexto operacional torna-se cada vez mais importante para organizações que desejam reduzir riscos de forma efetiva.

## **O problema não está apenas nas pessoas**

Existe uma tendência natural de associar risco humano ao comportamento dos usuários. Porém, uma análise mais profunda mostra que muitos dos fatores que aumentam esse risco são criados pela própria organização.

Processos excessivamente complexos, controles difíceis de utilizar, comunicação inadequada, falta de contexto e ausência de apoio das lideranças contribuem diretamente para a ocorrência de comportamentos inseguros.

Isso não significa que as pessoas não tenham responsabilidade sobre suas ações. Significa apenas que o comportamento humano é influenciado pelo ambiente onde ele acontece.

## **Construindo uma abordagem mais madura**

À medida que as ameaças se tornam mais sofisticadas, cresce a necessidade de abandonar visões simplistas sobre o risco humano.

Em vez de perguntar apenas por que um usuário clicou em uma mensagem suspeita, organizações mais maduras procuram entender quais condições permitiram que aquele comportamento acontecesse. Em vez de focar exclusivamente em treinamentos, analisam processos, contexto, cultura e fatores organizacionais que influenciam decisões.

Essa mudança de mentalidade é fundamental para reduzir riscos de forma sustentável.

Porque, no final das contas, antes de corrigir comportamentos dos usuários, muitas organizações precisam corrigir comportamentos da própria gestão. É justamente essa evolução que diferencia programas focados apenas em conscientização de iniciativas verdadeiramente orientadas para a gestão do risco humano.

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Fonte: BeePhish — https://beephish.com